Não entre no PDV sem antes se fazer estas 4 perguntas


Diversas empresas públicas estão anunciando Planos de Demissão Voluntária para equilibrar suas finanças. A reportagem, com a participação de Rafael Souto, CEO da Produtive, revela se o PDV é sempre vantajoso para o funcionário.

 

A crise econômica pode até estar passando, mas o PDV (Plano de Demissão Voluntária) continua sendo uma saída adotada por muitos empregadores para equilibrar suas contas.

Os servidores públicos que o digam. Os Correios, por exemplo, abriram recentemente um novo programa para cortar 5 mil vagas, com prazo de adesão até 29 de dezembro, enquanto a Eletrobras vai lançar um PDV com expectativa de participação de 2,4 mil funcionários. A medida também está sendo tomada pelo governo federal e até por sindicatos.

Programas do tipo podem salvar as contas da instituição, mas são necessariamente uma boa opção para o funcionário? Em tese, há vantagens para ambos os lados: o empregador consegue reduzir seus custos com folha de pagamento e o empregado sai com algum tipo de benefício ou pacote financeiro que compensa o seu desligamento.

Quer ajuda para fazer a sua escolha? O site EXAME elaborou um roteiro de perguntas obrigatório para quem está em dúvida se deve aderir ao plano. Confira:

1. Qual é o meu momento de vida?

Segundo Rafael Souto, CEO da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado, o plano só faz sentido para quem está atravessando uma transição profissional. Faça uma autoavaliação da sua carreira: você já vinha pensando em trocar de emprego? Tem um plano B, como outra oferta de emprego? Pretende abrir um negócio? Quer mudar de área de atuação? Pretende antecipar sua aposentadoria? Se as respostas forem negativas, talvez o PDV não seja uma boa opção. 

Nesse cálculo também devem entrar variáveis da sua vida pessoal. Como isso vai afetar a vida do seu cônjuge, filhos e outros familiares? “É importante avaliar o impacto financeiro, emocional e logístico dessa decisão para a rotina e para o futuro da sua família”, aconselha Souto.

2. Como será o futuro da instituição (e do meu departamento)?

Você não precisa ter uma bola de cristal para prever os caminhos mais prováveis que o seu empregador vai percorrer nos próximos tempos. Se a instituição está abrindo um PDV porque passa por uma derrocada sem perspectivas de melhora, pode ser vantajoso abandonar o barco antes que ele afunde. Porém, se o departamento em que você trabalha é relativamente imune à crise, talvez faça mais sentido ficar.

A história mostra tanto exemplos de instituições que faliram quanto empresas que tiveram uma vida longa e próspera no pós-PDV. A dica de Souto para acertar esse prognóstico é ativar o seu networking interno. “Busque seus pares, converse com eles a respeito do futuro da instituição, veja o que eles se eles vão ou não aderir ao PDV, e por quê”, diz o executivo.  

Você não precisa fazer o que todo mundo está fazendo, mas o diálogo servirá para aumentar o seu repertório e embasar melhor a sua decisão.

3. Eu me identifico com a missão da instituição?

Como toda grande decisão de carreira (e de vida), a adesão deve ser analisada à luz das suas grandes aspirações e projetos.

Se, por outro lado, você não está alinhado com os valores da empresa e está se sentindo desmotivado, aderir ao plano de demissão voluntária pode ser uma boa oportunidade para buscar outro emprego em que será mais feliz.

Se você está descontente, alerta Souto, corre o risco de depois virar o “viúvo do PDV” — aquele que se arrepende por não ter aderido ao plano enquanto era tempo.

4. O pacote é realmente atrativo?

Sob o ponto de vista financeiro, a qualidade dos PDVs pode ser bastante variável. “Avalie se a proposta do empregador é realmente muito diferente dos valores da rescisão normal”, orienta Souto. Um bom pacote é aquele que contempla benefícios — como um plano de saúde estendido, por exemplo — e valores representativos diante do seu rendimento médio e das suas economias.

 

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