Governança, reputação e gestão de riscos na carreira


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Artigo de Rafael Souto publicado em março de 2014 em sua coluna Novas Conexões, no Valor Econômico:

Na última década, o número de empresas que implantaram práticas de governança corporativa cresceu significativamente. Com isso, as organizações melhoraram seus níveis de controle de riscos e definiram políticas e regras para gestão dos negócios. Constituíram, ainda, conselhos de administração que dão mais credibilidade ao mercado. A governança também define limites aos poderes do CEO e contribui para a longevidade da empresa. Essas práticas são extraordinárias e conferem ganhos para toda a sociedade.

Gostaria de discutir esse tema sob a perspectiva da carreira executiva. Um dos pilares de uma trajetória bem-sucedida é a reputação que o profissional cultiva no mercado. Os recentes movimentos econômicos nos colocaram diante de uma nova questão: o impacto dos efeitos de uma crise e de práticas de gestão na reputação dos executivos.

Diferente do processo judicial que permite o contraditório e a produção de provas para definir a responsabilidade de cada pessoa, o mercado de trabalho é mais cruel. O executivo que trabalhou no período de um escândalo numa empresa é condenado ao menor sinal de fumaça, sem chance de defesa. E pior, é excluído de processos seletivos sem sequer saber. Em alguns casos, os problemas não são públicos, mas os operadores do mercado são hábeis em determinar quais empresas possuem uma administração não confiável.

Principalmente para executivos de alta gestão, o risco é muito elevado. Os maiores patrimônios de um profissional são sua moral e reputação no mercado. Sabemos que num escândalo de alta repercussão é pouco provável que os principais executivos não saibam das fraudes ou riscos que estavam correndo. Porém, existem situações em que o executivo conhece parte da história e pode entrar num barco rumo ao naufrágio.

Com o modismo das mudanças de emprego em ritmo acelerado, os riscos de entrar na canoa furada aumentam. O ciclo médio de permanência dos executivos de C-level (alta gestão) numa empresa tem sido de cinco anos. Ele ingressa numa nova atividade e pode descobrir aos poucos o ninho de cobras em que se meteu. Muitas vezes é tarde demais para retroceder, a imagem da empresa acabando sendo transferida para o capital político do executivo. E não faltarão juízes de plantão para fulminá-lo porque trabalhou naquela empresa de gestão duvidosa.

Esse tema não é novo. A novidade é que com as mudanças mais frequentes de trabalho, os executivos ingressam no meio de uma história que já estava sendo contada. Com isso, ficam expostos a pagar o preço de decisões que não foram tomadas por eles.

Na era da trabalhabilidade, é saudável e necessário buscar alternativas ao longo da vida profissional. Uma das vedetes do momento é a carreira de conselheiro de empresas. Ser membro de conselho de administração é símbolo de status dos executivos vencedores.

Não tenho a menor dúvida de que essa é uma estratégia justa e adequada no mundo do trabalho contemporâneo. Porém, muitos conselheiros não percebem os riscos que correm ao conectar seu nome a determinada empresa. Ser membro de conselho pode levar o executivo a responder com seu patrimônio pessoal diante de uma crise, além de associar sua imagem de maneira perigosa a uma empresa que poderá manchar sua reputação.

Diante dessa nova complexidade, volto à questão da governança aplicada à gestão de carreiras. O executivo do século XXI precisará organizar seu estatuto profissional. Definir as regras e os riscos que está disposto a correr. Pensar profundamente sobre seus valores e o alinhamento com a empresa em que está trabalhando. Assim como as empresas evoluíram positivamente na governança de seus negócios, o mesmo me parece ser indispensável para a prática de gestão de carreira. A clareza desse posicionamento permite dizer não a uma proposta tentadora ou pedir demissão de um projeto empresarial com risco elevado. Gerir a trajetória profissional é mais do que analisar um trabalho, é confrontá-lo com seu sistema de crenças e valores.

Rafael Souto é sócio-fundador e CEO da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado.

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