Executivos brasileiros estão encurralados na trincheira da crise


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Artigo de Rafael Souto publicado na edição desta quinta-feira, 28/janeiro, do Valor Econômico:

Rafael Souto

Na montanha russa da economia brasileira parece que estamos vivendo um típico momento dos anos 80 do século passado. Crise profunda, incertezas nos rumos políticos, recessão, inflação alta e desemprego crescente.

O cenário é grave e lamentável porque tínhamos todas as ferramentas para colocar o país nos trilhos do crescimento sustentável.

Não foi o que correu e precisamos lidar com a crise. Até aí, nada novo.

O que me incomoda é perceber nossos executivos paralisados na crise. Observo um mercado em que a reclamação passou a ser a tônica principal. A agenda “mimimi” é a preferida. Escuto pouco sobre o que podemos fazer na crise que não seja cortar custos e esperar soluções vindas de Brasília.

Esquecemos que na marola de 2011 e 2012 também cometemos muitos erros. Estimamos errado o crescimento de nossas empresas, inflacionamos salários na guerra de talentos. Prometemos aos acionistas metas que não eram viáveis. Assim como o ex-ministro Mantega perdeu credibilidade com seu otimismo sem resultados, muitos CEOs também embarcaram nessa festa.

Rever custos e orçamentos não pode ser fenômeno pontual do pacote anticrise. Deve ser uma constante na filosofia de gestão.

A verdade é que a fase em que o gigante brasileiro havia acordado escondeu nossas ineficiências. Mascarou nossa dificuldade de inovar e construir negócios competitivos. Nesses períodos de dificuldade fica fácil criar um desculpa padrão para toda a meta não cumprida: foi a crise.

Quando o tema é a gestão de carreira dos indivíduos, vejo as mesmas questões. Muitos profissionais saem atrás de diplomas para melhorar a competitividade no mercado escasso. Diplomas não servem para embelezar o currículo. Servem para dar consistência e gerar melhores resultados no trabalho. Os resultados é que impulsionam a carreira. O curso é acessório, o núcleo de uma carreira consistente é a soma de projetos e trabalhos bem feitos. Não adianta sair atrás de um curso caça- níquel para melhorar o salário ou recolocar-se mais rápido. Investir em educação é peça-chave na carreira, mas os resultados não são imediatos.

Outra dinâmica perversa da crise é o corte de pessoas e estruturas conduzido pelo olhar de curto prazo. Tempo e dinheiro investidos para formar equipes indo pelo ralo da emergência. Como já escrevi noutro artigo publicado neste jornal: os que hoje demitem, amanhã reclamarão do apagão de talentos. É evidente que essa sanfona de contratar e demitir não permite formar pessoas. Os cortes podem ser necessários, mas depois não adiantará irmos aos fóruns de RH reclamar que não temos pessoas qualificadas no mercado.

Temos que aprender a pensar no longo prazo.

Em 2005, conversei com um grande fabricante de máquinas do setor do agronegócio. Eles estavam construindo uma nova fábrica a ser inaugurada em 2008. Naquele período, o segmento vivia uma tremenda crise. Todos perguntavam o porquê do investimento. A resposta foi óbvia: não estavam pensando no curto prazo. Acreditavam no Brasil como uma das maiores fronteiras agrícolas do mundo. O resultado mostrou que estavam certos. Os anos seguintes foram excepcionais para esse mercado já acostumado com os ciclos de crescimento e contração.

Aos jovens executivos que não viveram as turbulentas e já distantes últimas décadas do século passado, bem-vindos ao Brasil. A construção de suas carreiras exigirá a habilidade de navegar em águas nervosas.

Como eu, muitos lamentaram a morte de David Bowie, ícone do pop britânico. Sua irreverência quase maluca iluminou gerações. A loucura acompanha a arte, assim como a instabilidade é irmã da economia. Nas repúblicas imaturas como a nossa, pior fica o balanço.

Temos o direito de reclamar e exigir um país melhor, mas não podemos depositar no governo e em terceiros a responsabilidade por nosso sucesso profissional e de nossas empresas. Podemos citar inúmeras empresas e casos de triunfos na crise. Chega a ser repetitivo ouvir que a crise gera oportunidades. A pergunta que fica em aberto é qual seu plano para potencializar a carreira e o seu negócio nesse cenário. Porque após esse incêndio econômico com jeito darwiniano, os mais adaptáveis sairão fortalecidos e aproveitarão a onda de crescimento.

Rafael Souto é sócio-fundador e CEO da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado

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