A crise pede qualificação


A pesquisa da Produtive, na qual compara a relação direta entre o nível de formação e a remuneração dos executivos recolocados pela consultoria,  foi destaque no especial Pós-Graduação da edição 321 da revista Amanhã. O CEO da Produtive, Rafael Souto, também participa da matéria e explica quais os perfis profissionais que estão sendo mais buscados pelo mercado.

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Como investir em cursos de pós-graduação pode impulsionar o sucesso profissional

O ano de 2016 foi marcado pelo agravamento da crise econômica e, consequentemente, pelo crescimento do desemprego. O Brasil fechou o ano com 12,3 milhões de pessoas desempregadas e taxa média de 12% encerrando o quarto trimestre, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram 1,3 milhão de postos de trabalho fechados, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Ainda de acordo com o IBGE, o desemprego passará dos 13% em 2017. Mas, no último trimestre, tende a estagnar. O ano promete ser de estabilização com melhora nos índices econômicos, retomada lenta na economia e com uma ínfima geração de empregos. As contratações devem seguir em ritmo moderado e seletivo, aumentando o acirramento e a disputa por um espaço no mercado de trabalho.

Diante dessa conjuntura, a estratégia adotada por muitos profissionais é investir em conhecimento e qualificação. A escolha por fazer pós-graduação é uma alternativa para turbinar o currículo e preparar o seu portfólio para cenários mais prósperos de mercado. Para Rafael Souto, CEO da Produtive – consultoria especializada em outplacement e gestão de carreiras –, investir em uma pós-graduação durante a crise é uma oportunidade de seguir avançando na carreira, à frente de outros profissionais que interrompem o desenvolvimento acadêmico. O consultor argumenta que a pós-graduação – seja especialização, MBA, mestrado ou doutorado – é fundamental para que o profissional se mantenha competitivo em uma época de hiperespecialização.
“As empresas, hoje, buscam cada vez mais profissionais preparados e bem qualificados, com muito conhecimento e capacidade de entrega, porque o ambiente de negócios, cada vez mais competitivo, exige equipes qualificadas”, observa. 

Segundo Souto, somente sobrevivem no mercado profissionais que tenham domínio numa área de atuação, com eixo funcional de carreira definido. De acordo com levantamento realizado pela Produtive, 85% das 4,1 mil oportunidades que a consultoria abriu em 2016 eram destinadas a especialistas com área foco determinada e visão ampla de negócio, até mesmo para cargos de alta gestão. O recrutador orienta que o profissional tenha conhecimento sólido de uma área e visão generalista das demais – como uma letra T em que a linha vertical é a área foco e a linha horizontal é a noção geral. Por exemplo, um diretor financeiro pode ser um profissional altamente especializado em finanças e com uma visão sistêmica do restante da empresa. “O profissional sem foco e que conhece um pouco de cada coisa não se fortalece no mercado. Já o especialista que tem somente uma área, olha somente o próprio umbigo e não tem conhecimentos gerais, está ficando para trás”, adverte Souto. O perfil generalista sem foco é o que também mais sofre com a menor empregabilidade e com a maior dificuldade para crescimento e recolocação no mercado de trabalho.

A busca por profissionais altamente especializados é reflexo de um mercado segmentado, explica Marcelo Saraceni, diretor-geral da Associação Brasileira das Instituições de Pós-Graduação (ABIPG). “O setor de saúde, por exemplo, demanda profissionais especializados em áreas que antigamente não eram tão desenvolvidas no Brasil. E isso demanda qualificação em termos de pós-graduação. É a própria configuração de mercado que exige um profissional mais especializado”, explica.

No entanto, Saraceni entende que o mercado necessita tanto de profissionais especialistas como de generalistas, para posições com elevada especificidade técnica e  para cargos estratégicos com visão sistêmica, respectivamente: “Hoje, existe demanda para os dois tipos de profissionais. Uma demanda mais generalista na área de gestão e mais técnica e especialista nas áreas de saúde e engenharia”, avalia Saraceni, que também é diretor da Escola de Administração e Negócios (ESAD/DF).

Investimento estratégico

Os consultores atentam que, antes de definir o momento para seguir uma pós-graduação, o profissional deve construir um plano de carreira, com a pós-graduação alinhada a seu planejamento, complementando as competências necessárias para impulsionar sua ascensão profissional.

A estratégia de carreira definirá a linha de pós-graduação do executivo: reforço da área foco ou visão geral do negócio. Na primeira linha, por exemplo, um profissional de finanças que opta por uma pós-graduação em Controladoria, reforçando a área de atuação. Já no segundo caso, por exemplo, um publicitário opta por pós-graduação em Gestão Empresarial, ampliando a visão sobre outras áreas. “No início, recomendamos que reforcem a área foco porque é preciso dar consistência para a carreira. Depois, buscar formações mais amplas para reforçar aquela visão sistêmica”, aconselha Souto, reforçando que o momento da carreira é o critério decisivo para a escolha entre as duas linhas.

Para ter um plano de carreira estruturado, o profissional recém-graduado deve ter uma experiência inicial por cerca de dois anos na área “mãe” de sua formação. Assim, vivenciará na prática o curso que terminou, preparando o próximo, e definindo o foco e a visão geral que delineará sua carreira. O ideal é que, entre cada curso de maior profundidade, o profissional faça pausas para praticar o aprendizado anterior e reavaliar se a opção está seguindo a lógica da sua estratégia de carreira.

Impulso na carreira

Em tempos de mercado acirrado e exigente, a pós-graduação, além de reforçar a formação do profissional, é um trunfo no momento da contratação. “A formação acadêmica é um item complementar. Ou seja, se dois candidatos têm uma experiência profissional similar e um deles tem formação mais completa, a tendência é que este seja mais valorizado”, afirma Souto. Na avaliação do consultor, a valorização da formação acadêmica vem em uma evolução histórica. Nos anos 1980, bastava ao profissional ter experiência prática para garantir o seu espaço no mercado de trabalho. Já a partir dos anos 2000, as empresas passaram a valorizar o equilíbrio entre experiência prática, conhecimento prático e formação acadêmica. “Então, quem tem uma formação acadêmica mais robusta e uma experiência profissional prática se destaca com maior empregabilidade”, complementa.

“A ideia de que a pós-graduação só tem valor na academia não faz mais sentido”, frisa Eleani Maria da Costa, diretora de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Na análise de Eleani, já existe uma conscientização generalizada sobre a necessidade da educação continuada. “A pós-graduação qualifica não só provendo novos conhecimentos, mas também desenvolve diferentes habilidades que fomentam ideias e ampliam as formas de atuação e abordagem diante dos desafios, que constituem um diferencial importante para o crescimento e inovação no ambiente de trabalho e para a progressão na carreira”, conclui.

Os especialistas alertam que diante de uma demissão é preciso ter cautela ao investir em uma pós-graduação. A começar por uma criteriosa análise da sua capacidade financeira para custear o curso e manter o padrão de vida até a recolocação, tendo em vista que os resultados da pós-graduação não vêm em curto prazo. “Não é porque o profissional entrou numa pós-graduação que vai se recolocar. São outros fatores associados que farão o profissional conquistar a vaga. O principal erro é achar que o reconhecimento é imediato”, sobreavisa Souto. Atualmente, com a economia em recessão, o tempo médio para um executivo de alta gestão reativar-se do mercado é em torno de seis a nove meses – prazo que varia dependendo do setor, do nível de cargo e salário do profissional.

O mesmo vale para aumento de remuneração salarial: as empresas não gratificam os funcionários porque concluíram uma pós-graduação, mas sim quando o curso tiver impacto no seu desempenho.

Na análise de Souto, a pós-graduação ajuda a consolidar ciclos de carreira. “Percebemos que quem tem melhor formação acadêmica ganha mais, porque cresce mais, ocupa posições maiores, entrega melhores resultados e o acréscimo de remuneração acaba vindo como consequência disso”, nota o especialista.

O paradoxo da formação

Os profissionais superespecializados também sofrem com a baixa absorção de trabalhadores no mercado. Hoje, em muitas atividades, a pós-graduação não é mais diferencial, tornou-se pré-requisito. Esse é o motivo apontado por muitos profissionais que detêm um currículo extenso de títulos de especialização até doutorado.

Com o desemprego em alta, todos os níveis de profissionais são atingidos. Porém, os especialistas observam um recente aumento na classe dos “super doutores desempregados” – são profissionais com vasta formação acadêmica e que não conseguem colocação no mercado de trabalho. Afinal, com tantos diplomas, o que falta para eles? “Eles têm uma superqualificação acadêmica, mas ainda não consolidaram uma área foco ou não têm uma experiência prática de mercado”, aponta Souto.

Essa massa de profissionais desempregados pode também ser explicada pela expectativa de alta remuneração do executivo, em função de seus méritos acadêmicos e inflexibilidade em negociação de seus patamares com as companhias, levando em conta a situação de mercado resistente. Outra dificuldade desses profissionais é a recolocação em áreas afins. Quando suas áreas foco estão em crise ou em reestruturação, eles não conseguem se recolocar em outro setor devido à superespecialização.

Na visão de Souto, as empresas tímidas e limitadas também têm sua parcela de contribuição nessa onda de “super doutores desempregados”. Há casos de empresas que recusam estes profissionais, mesmo com baixa de salário, por medo de que em mercado aquecido eles as deixem. “São empresas inseguras, que acham que o profissional competente demais é um problema para ela”, comenta o recrutador.

EAD em crescimento

A conveniência que a tecnologia oferece fez crescer a oferta de cursos de educação a distância (EAD). Segundo o último levantamento da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) existem 1,6 mil cursos de pós-graduação semipresenciais ou totalmente a distância no país, com 145,9 mil alunos matriculados – uma redução de aproximadamente 10% em relação ao período de 2014/2015. A região Sul desponta como um dos maiores polos, com a presença de 21% de instituições formadoras, atrás apenas do Sudeste, com 42%.

O crescimento acelerado e a popularização da modalidade acendem o alerta contra os cursos “caça-níqueis”, ou mesmo a oferta de cursos fracos em instituições que não têm conhecimento e experiência na modalidade. “Hoje, com a melhoria da tecnologia, temos cursos melhores, com bastante interação, troca de ideias, situações de vivência, utilizando as possibilidades da tecnologia. Mas ainda temos cursos de especializações ruins que entendem que é só entrega de conteúdo”, analisa Sérgio Roberto Kieling Franco, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador do Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação, da mesma universidade.

Segundo o educador, o preconceito e a estigmatização com a modalidade a distância diminuiu progressivamente nos últimos anos, especialmente na pós-graduação lato sensu. “As empresas têm mostrado uma maior aceitação para as pessoas que têm essa formação pós-graduada a distância. É um quadro diferente para a graduação, mas nas especializações já se venceu bastante o preconceito. A inserção desse profissional no mercado de trabalho está mais facilitada”, considera Franco, pontuando que a área administrativa tem alto índice de aceitação desses diplomas.

Os diplomas de curso a distância e presencial têm a mesma validade jurídica. Porém, como ainda não faz parte da cultura brasileira, há empresas que atribuem menos credibilidade a esse tipo de curso. Na análise de Franco, as empresas, geralmente, valorizam mais a atualização do profissional que a modalidade do curso.

A identidade de cada curso também deve pesar na escolha da modalidade. Para o especialista, há cursos que exigem situações práticas, impedindo-os de serem integralmente a distância – caso da área da saúde, por exemplo. Já áreas como administração, contabilidade, engenharia da produção enquadram-se melhor com atividades não presenciais.

“Como o leque de especializações é muito amplo, a escolha de atividades com menor ou maior interação depende da área”, pontua o pesquisador. O nível de interação do curso, seja presencial ou online, está diretamente relacionado à sua qualidade. O professor alerta que, embora na pós-graduação lato sensu o aluno não careça tanto da presença do professor e dos colegas, cursos que prezam somente pela entrega de conteúdo, sem interação direta, geralmente são inferiores em qualidade.

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