Antes de inovar na gestão de pessoas, faça o básico acontecer


“Se você quer mudar o mundo, comece arrumando a sua cama”. Essa célebre frase foi dita por William H. McCraven, ex-almirante da marinha norte-americana, durante uma formatura na Universidade do Texas. No discurso, ele explica a importância de começar pelo básico e relata suas experiências pessoais para construção da carreira fazendo coisas simples e mostrando que dessas atividades podemos avançar para projetos grandiosos. Não adianta termos sonhos grandes se não fizermos o básico. É isso que nos dá força e consistência para avançarmos.

Replico essa ideia para a gestão de pessoas.

No final de cada ano costumamos fazer um balanço de nossos resultados e projetamos os próximos passos. A necessidade de inovar é um tormento corporativo. A pressão pela inovação, revisão de modelos e novas práticas está na ordem do dia. No entanto, quando analisamos a realidade corporativa, estamos ainda distantes de fazer os processos essenciais com excelência.

Num estudo realizado pela consultoria global Gartner, 40% das lideranças não preencheram as avaliações de performance de seu time no último ciclo de desempenho. Da parcela que preencheu, 70% a realizam no último dia do prazo, ao apagar das luzes e com os apitos estridentes das áreas de recursos humanos, suplicando para que o façam. O dado mostra que avaliar a performance parece estar entre as últimas prioridades. No mesmo estudo, 55% dos empregados disseram que não tiveram nenhum feedback formal durante o ano.

Esses dados mostram que uma atividade básica como discutir performance e dar feedbacks não acontece como deveria na maior parte das empresas. Quando o tema é carreira, os resultados são piores: 65% dos empregados citam que não tiveram conversas sobre o seu desenvolvimento e não sentem abertura para dialogar. Para 78% deles, não há espaço para conversar de forma transparente e nem encorajamento para isso.

Já sabemos que o principal fator para turnover está relacionado ao desenvolvimento da carreira. Conversar sobre carreira é uma atividade essencial da liderança. Mas, na prática, elas simplesmente não acontecem porque não são priorizadas. Muitas vezes, os líderes não possuem conteúdo e repertório técnico para conduzir essas discussões.

Um estudo que consolida pesquisas de clima realizado pela GPTW (Great Place to Work) mostrou que a visão sobre o tema carreira é a pior entre todos os itens avaliados. No entanto, quando existem conversas frequentes essa favorabilidade aumenta consideravelmente, reforçando a importância de dedicar tempo ao desenvolvimento de carreira dos funcionários.

Ram Charan, professor de Harvard e referência global em gestão, costuma dizer que para saber se um líder é orientado a pessoas basta olhar para sua agenda. Um gestor com foco em pessoas consegue organizar tempo para dialogar com seu time. Investe tempo no indivíduo e não apenas nas metas e nos processos técnicos do negócio.

Quando analisamos o ciclo de saída das organizações também temos desafios para fazer o essencial. A recente e trágica condução das demissões da empresa Better pelo CEO Vishal Garg deu visibilidade extrema para o problema. Garg demitiu 900 pessoas pelo Zoom de forma agressiva, irônica e desrespeitosa. A condução desastrosa rendeu manchetes pelo mundo criticando Garg e a Better. A forma desrespeitosa e sem preparo que o líder realizou a demissão marcou mais do que a demissão em si.

Demitir é um processo básico que precisa ser conduzido de forma estruturada e profissional.

Porém, as demissões mal feitas não são exclusividade da Better. O ciclo de offboarding é conduzido de maneira amadora em muitas organizações. A Produtive, consultoria especializada em outplacement, entrevistou mais de 5000 profissionais demitidos e para 56% deles, o desligamento não foi bem conduzido.

Contratar, treinar, avaliar, apoiar o desenvolvimento e demitir são processos que têm atividades essenciais como dar feedbacks e ter conversas transparentes.

Acredito que 2022 é um bom ano para voltarmos ao básico. Antes de rechearmos as empresas com projetos mirabolantes, vamos revisar e treinar nossos líderes para a essência. Vamos arrumar a cama e depois mudar o mundo.

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